Metodologia
Como chegamos aos nossos números
Publicamos o método inteiro, incluindo os limites dele. Um projeto que declara onde o próprio dado é frágil merece mais crédito, não menos.
Em resumo
Para cada poste instalado, sabemos a potência das placas solares. Todo dia, buscamos junto à API POWER da NASA quanta energia solar atingiu aquela região naquele dia — um dado medido por satélite, público e gratuito, com cobertura mundial.
Multiplicamos uma coisa pela outra e aplicamos as perdas reais de um sistema isolado: calor, sujeira no painel, cabos, controlador de carga e ciclo da bateria. Descontamos também o envelhecimento natural dos módulos e corrigimos pela latitude de cada instalação. O resultado é gravado no banco todo dia, o que torna cada número rastreável e reproduzível anos depois.
Em detalhe
A fórmula
E = P × H × PR × D × T
Toneladas de CO₂ equivalente evitadas
O reflexo natural seria usar o fator de emissão da rede elétrica brasileira, que é baixíssimo porque nossa matriz é majoritariamente hidrelétrica. Esse fator responde à pergunta errada: as comunidades atendidas não estavam conectadas à rede. O que o Biolume substitui é gerador a diesel, lampião a querosene, vela e pilha descartável.
Por isso adotamos como linha de base a geração a diesel em sistema isolado. O fator, sua fonte e sua justificativa ficam registrados no banco de dados e podem ser auditados a qualquer momento.
O que este número não diz
Os valores publicados são estimativas de geração potencial, não medições diretas. O sistema calcula quanta energia os painéis teriam produzido dada a irradiância do dia. Ele não sabe, sozinho, se um painel está sujo, se a bateria degradou, se a vegetação cresceu e passou a sombrear o poste ou se o equipamento simplesmente quebrou.
Reduzimos essa distância de duas formas. Instalações registradas como inativas são excluídas do cálculo. E, quando uma falha é descoberta numa visita — o que às vezes acontece meses depois —, registramos desde quando o equipamento estava parado e a energia daquele período é zerada retroativamente.
A solução definitiva é telemetria embarcada nos postes, comparando geração medida contra geração estimada. Está no nosso plano. Até lá, preferimos publicar o método e suas limitações a apresentar estimativa como se fosse medição.
Fonte de irradiância: NASA Langley Research Center, POWER Project — power.larc.nasa.gov