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Biolume

Metodologia

Como chegamos aos nossos números

Publicamos o método inteiro, incluindo os limites dele. Um projeto que declara onde o próprio dado é frágil merece mais crédito, não menos.

Em resumo

Para cada poste instalado, sabemos a potência das placas solares. Todo dia, buscamos junto à API POWER da NASA quanta energia solar atingiu aquela região naquele dia — um dado medido por satélite, público e gratuito, com cobertura mundial.

Multiplicamos uma coisa pela outra e aplicamos as perdas reais de um sistema isolado: calor, sujeira no painel, cabos, controlador de carga e ciclo da bateria. Descontamos também o envelhecimento natural dos módulos e corrigimos pela latitude de cada instalação. O resultado é gravado no banco todo dia, o que torna cada número rastreável e reproduzível anos depois.

Em detalhe

A fórmula

E = P × H × PR × D × T

E — energia do dia, em kWh
O resultado, calculado e gravado por instalação e por dia.
P — potência de pico, em kWp
Soma dos módulos que estavam efetivamente ativos naquele dia. Painel trocado ou acrescentado depois não altera o histórico já calculado.
H — irradiância, em kWh/m² por dia
Parâmetro ALLSKY_SFC_SW_DWN da API POWER da NASA, na comunidade de Energia Renovável. Buscado por comunidade, não por poste: a grade do satélite tem cerca de 55 km e todas as instalações de uma comunidade caem na mesma célula.
PR — fator de performance
Agrega as perdas reais: temperatura de célula (em clima quente, de 10 % a 18 %), sujeira e dejetos de aves, cabeamento, controlador de carga e ciclo da bateria (de 10 % a 20 % em sistema isolado). Adotamos 0,65 como padrão, ajustável por instalação conforme medimos em campo.
D — degradação
D = (1 − LID) × (1 − taxa)^anos. Consideramos 1,5 % de perda inicial induzida por luz e 0,5 % ao ano de degradação linear, coerente com a garantia usual de 80 % a 85 % de capacidade aos 25 anos.
T — transposição
A NASA entrega irradiância em superfície horizontal. Perto do equador isso equivale ao plano do painel; longe dele, não. O fator corrige pela latitude — 1,00 no Pará, cerca de 1,09 no Sul do Brasil.

Toneladas de CO₂ equivalente evitadas

O reflexo natural seria usar o fator de emissão da rede elétrica brasileira, que é baixíssimo porque nossa matriz é majoritariamente hidrelétrica. Esse fator responde à pergunta errada: as comunidades atendidas não estavam conectadas à rede. O que o Biolume substitui é gerador a diesel, lampião a querosene, vela e pilha descartável.

Por isso adotamos como linha de base a geração a diesel em sistema isolado. O fator, sua fonte e sua justificativa ficam registrados no banco de dados e podem ser auditados a qualquer momento.

O que este número não diz

Os valores publicados são estimativas de geração potencial, não medições diretas. O sistema calcula quanta energia os painéis teriam produzido dada a irradiância do dia. Ele não sabe, sozinho, se um painel está sujo, se a bateria degradou, se a vegetação cresceu e passou a sombrear o poste ou se o equipamento simplesmente quebrou.

Reduzimos essa distância de duas formas. Instalações registradas como inativas são excluídas do cálculo. E, quando uma falha é descoberta numa visita — o que às vezes acontece meses depois —, registramos desde quando o equipamento estava parado e a energia daquele período é zerada retroativamente.

A solução definitiva é telemetria embarcada nos postes, comparando geração medida contra geração estimada. Está no nosso plano. Até lá, preferimos publicar o método e suas limitações a apresentar estimativa como se fosse medição.

Fonte de irradiância: NASA Langley Research Center, POWER Project — power.larc.nasa.gov